1. SEES 3.4.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  PREPAREM OS AVENTAIS
3. ENTREVISTA  MARK PARKER  AT OS HERIS TM LIMITES
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  A EXUMAO DE UM CADVER
5. LEITOR
6. MALSON DA NBREGA  DESPERTA, CONGRESSO
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN SADE  HIDRATAO: UMA ARMA CONTRA PEDRA NOS RINS

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

AS STARTUPS E O CUSTO BRASIL
Nem bem comeou a ganhar velocidade, o setor de novos negcios da internet brasileira j faz sua primeira pausa para reavaliao. Investidores e empreendedores, muitos deles estrangeiros, descobriram o "custo Brasil"  e no esto contentes. Algumas startups vo fechar. Outras tero de brigar ferozmente pelos aportes que as levem ao prximo estgio de desenvolvimento. Mas o fim da "exuberncia irracional" no significa que o mercado de internet no Brasil tenha deixado de ser visto como um dos mais promissores do mundo. VEJA.com explica esse cenrio e apresenta o perfil de quatro empresas nacionais  da que acabou de nascer  que abriu recentemente o capital na bolsa. 

PARTO NORMAL EM EXTINO
O Ministrio da Sade deve lanar, nos prximos meses, aes para frear o nmero de cesarianas na rede pblica e conveniada ao SUS. Atualmente, 40% dos partos na rede pblica so cesarianas, quando o ndice recomendado pela Organizao Mundial de Sade (OMS)  de at 15%. Reportagem no site de VEJA mostra por que isso acontece, o que os obstetras alegam e como cada tipo de parto se reflete na sade da mulher e do beb.

INTELIGNCIA CANINA
Os ces so inteligentes. Quanto? Como medir a capacidade que eles tm de memorizar e aprender coisas novas? No livro The Genius of Dogs, Brian Hare, antroplogo evolucionista e diretor do Centro de Cognio Canina da Universidade de Duke, nos EUA, e Vanessa Woods, estudiosa do comportamento dos primatas, renem as pesquisas mais recentes sobre o tema. Segundo eles, os cachorros no s possuem uma inteligncia social, como podem se parecer muito mais com os humanos do que alguns primatas. Em vdeo, Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal, explica o significado dos latidos e de outros sinais que os ces usam para se comunicar com os donos.

GEOSOCIAL VEJA
VEJA.com acaba de lanar um servio digital inovador, que rene recursos de geolocalizao e redes sociais. O GeoSocial VEJA apresenta em mapa tutes, fotos e avaliaes de bares, hotis e restaurantes, alm de informaes sobre trnsito e transporte, publicados no Instagram, Twitter, Foursquare e TripAdvisor. Reportagens de VEJA.com tambm estaro disponveis na tela. Nesta semana, o servio vai se concentrar no Lollapalooza: quem planeja ir ao festival de msica pode ver agregadas no smartphone, tablet ou computador informaes sobre locais prximos ao evento. 


2. CARTA AO LEITOR  PREPAREM OS AVENTAIS
     No  por falta de dispositivos constitucionais nem de leis que do garantias aos cidados que o Brasil no atingiu o estgio de sociedade perfeita. A Constituio, em seu artigo 6, garante a todos os brasileiros o direito a educao, sade, trabalho, moradia, lazer, segurana, previdncia social, proteo  maternidade e  infncia e a assistncia aos desamparados. So muitas as leis aprovadas para defender as crianas e os adolescentes, as pessoas atingidas por doenas crnicas, os necessitados de cuidados especiais no transporte pblico e, claro, todos os tipos de animais e plantas na terra, no mar e no ar. Mas, apesar de tantos arrimos legais, milhes de brasileiros no tm casa para morar, vivem nas filas dos hospitais pblicos em busca de senha para ser atendidos meses depois, sofrem com as armas dos bandidos apontadas para a sua cabea ou se viram como podem em total desamparo nas ruas das grandes cidades. O problema  que essas leis, que do a seus autores popularidade e poder, so irrealistas na abrangncia e viram letra morta por sua inaplicabilidade universal. 
     Uma reportagem desta edio de VEJA, porm, comemora a aprovao da emenda constitucional que amplia os direitos das empregadas domsticas justamente por acreditar que ela  realista e aplicvel. Especialistas ouvidos pela revista consideram que, em um primeiro momento, as novas exigncias legais podem ter consequncias negativas, inclusive para a categoria. Muitas donas de casa vo concluir que ficou caro e complicado demais manter uma empregada domstica fixa, optando por uma faxineira uma ou duas vezes por semana. 
     A reportagem fornece dados e anlises que permitem concluir que, em pouco tempo, a "PEC das Domsticas" vai ser entendida como um formidvel avano social. Por refletir uma situao real de mercado com abundante oferta de empregos e escassez de mo de obra  as domsticas j vinham obtendo salrios mais altos e melhores condies de trabalho , a PEC das Domsticas pode escapar da implacvel equao segundo a qual a ampliao das garantias e benefcios sociais  diretamente proporcional  reduo do nmero de beneficirios. Ou seja, ela pode, no comeo, colocar mais empregadas na rua ou na informalidade, mas a longo prazo mostrar sua adequao. Afinal, a sociedade brasileira caminha para ficar em sintonia com a realidade dos pases mais avanados, onde ter empregada  um luxo acessvel apenas aos muito ricos  enquanto na maioria dos lares a mulher, o marido e os filhos se revezam no aspirador de p, na cozinha e na pia.


3. ENTREVISTA  MARK PARKER  AT OS HERIS TM LIMITES
O CEO mundial da Nike diz que, apesar dos riscos de associar a marca a escndalos, patrocinar grandes nomes do esporte  decisivo para alcanar o topo na inovao.
MALU GASPER

Desde que comeou a trabalhar na Nike, em 1979, o CEO Mark Parker, de 56 anos, conviveu com os maiores atletas do mundo. Teve grandes satisfaes, mas tambm passou por maus bocados. Recentemente, precisou romper com dois campees que arranharam a credibilidade da marca  o corredor sul-africano Oscar Pistorius, acusado de matar a namorada, e o ciclista americano Lance Armstrong, ru confesso num esquema de doping. "Antes da escolha de um atleta, fazemos uma batelada de checagens. Mas so seres humanos  que tm dramas e erram", diz. Embora reconhea que marketing  fundamental, Parker afirma que o futuro da Nike depende mesmo  da criao de produtos ultrapersonalizados e com muita tecnologia embutida. Ele falou a VEJA em visita ao Rio de Janeiro.

Recentemente, a Nike precisou suspender o patrocnio ao corredor sul-africano Oscar Pistorius, acusado de matar a namorada. A imagem da empresa saiu arranhada? 
 muito difcil mensurar a extenso desse tipo de estrago. Sabemos que houve, sim, os que condenaram no s o atleta, mas tambm a marca. Outros discerniram bem as coisas. O fato  que no temos controle sobre todos os desdobramentos de crises extremas como essa. Tentamos nos blindar contra situaes assim o tempo todo. Antes de tomarmos a deciso acerca do patrocnio de um atleta, realizamos uma batelada de checagens sobre ele e falamos com gente que o conhece bem. Foi o que fizemos com Pistorius. O que aconteceu depois foi algo trgico e absolutamente impossvel de prever.

A campanha publicitria que apresentava Pistorius como "a bala no tambor do revlver" mostrou-se um erro brutal, mas ficou alguma lio? 
Quando criamos o anncio, a imagem de Pistorius era associada  rapidez e  superao, e no  violncia. Se soubssemos o que sabemos hoje, obviamente no teramos conduzido a histria daquela forma. 

O senhor costumava citar o ciclista Lance Armstrong  que confessou ter se dopado durante boa parte de sua carreira  como um bom exemplo. Foi difcil romper com ele? 
Sim, foi muito duro porque envolveu uma profunda decepo, para dizer o mnimo. Eu, que tambm pratico ciclismo, admirava Lance Armstrong. J o tnhamos questionado antes, por diversas vezes, sobre as acusaes de doping que pesavam contra ele. Lance sempre negou tudo enfaticamente. 

Esses episdios fizeram a Nike repensar sua poltica de patrocnios? 
Na verdade, no. Atletas so uma inesgotvel e valiosa fonte de inspirao. Isso no apenas para o marketing, mas tambm para a criao de produtos. Nas ltimas dcadas, patrocinamos milhares de esportistas e desenvolvemos muitas inovaes em parceria com eles.  algo que est em nosso DNA. No vai mudar.  claro que tentamos fazer o melhor julgamento possvel dos esportistas que se tornam porta-vozes de nossa marca. Mas  preciso lembrar que lidamos com seres humanos  que tm seus dramas e erram. Por isso, inclumos nos contratos clusulas que protegem os nossos interesses e no deixam dvida: at para eles, os super-heris do esporte, existem limites. 

Entre as vrias parcerias com grandes nomes do esporte seladas sob seu comando, qual trouxe mais resultados? 
A experincia com Ronaldo Fenmeno foi um divisor de guas, j que nos ajudou a conhecer e a ingressar num mundo do qual at ento sabamos muito pouco: o do futebol. Ronaldo nos forneceu preciosas pistas para a criao de uma chuteira num momento em que ainda estvamos engatinhando nesse mercado, no incio dos anos 90. Ele queria um calado que protegesse os ps, mas fosse leve a ponto de passar a sensao de jogar descalo. Na poca, era um conceito novo para ns e para o esporte. Durante o processo, estudamos com olhar de cientista a maneira como Ronaldo se movimentava.  um bom exemplo de como a demanda de um atleta genial pode nortear a inovao. Aquela chuteira  um de nossos grandes sucessos. 

Como  lidar com o ego inflado e as idiossincrasias dos atletas que a Nike patrocina? 
Eu comecei na empresa como designer, em 1979, e passei boa parte da minha vida trabalhando diretamente com atletas na criao de produtos.  tarefa difcil, sem dvida, mas tambm muito interessante. Exige psicologia e at um qu de adivinho para decifrar a mente dessas estrelas. Esportistas de elite costumam alimentar expectativas bastante elevadas. Passamos um longo tempo tentando entender o que querem e do que precisam. Fazemos prottipos em srie, que vo sendo descartados um a um, at que eles fiquem 100% satisfeitos. O visual tambm  importante. Atletas so vaidosos, gostam de olhar no espelho e pensar: eu me sinto mais veloz, mais forte, bonito e poderoso. Parece bobagem, mas isso tambm pode ajudar a melhorar o desempenho. 

Qual  o mais exigente dos atletas com os quais o senhor convive hoje? 
Tiger Woods, que tambm se envolveu com escndalos, mas superou o problema. Ele costuma ser muito especfico sobre o que gosta e o que quer. No incio da parceria, ele nos contou que adorava quando ouvia um som especial no momento da tacada, um discreto rudo que s ele identificava. Em busca desse leve som, modificamos a textura da bola inmeras vezes. Fizemos nove prottipos at chegar quele que proporcionava a musicalidade ideal aos ouvidos de Woods. A maioria das pessoas no veria nenhuma diferena entre cada uma daquelas bolas. Mas ele percebe. 

O que esse tipo de experincia ensina sobre o consumidor comum? 
As pessoas esto cada vez mais exigentes e buscam produtos mais e mais personalizados. No importa se  um telefone, uma roupa ou um tnis. O caminho para inovar  radicalizar na customizao. Num futuro no muito distante, algo como cinco ou sete anos, ser possvel colocar um modelo de seu p no computador e projetar um tnis absolutamente sob medida para ele, levando em conta todas as suas particularidades  isso em grande escala. Outro pilar fundamental, sem o qual nenhuma companhia sobreviver,  o investimento em tecnologias digitais que permitam s pessoas estar conectadas o tempo todo. H tempos percebemos que no era uma escolha ficar de fora disso e criamos produtos como o sensor que, instalado no tnis, envia  internet, via celular, dados sobre o desempenho do corredor e a pulseira que conta os passos da pessoa. 

Esse tipo de produto permite formar um valioso banco de dados sobre hbitos e gostos. O que descobriram? 
Primeiro, que estamos vivendo nveis recordes de sedentarismo  um terreno sobre o qual queremos avanar, atraindo mais gente para o esporte e abrindo mercado. Outra importante constatao  que o maior interesse em torno dos aplicativos no  competir com os amigos ou exibir bom desempenho nas redes sociais  mas, sim, a motivao de fazer a pessoa batalhar consigo mesma, tentando vencer os prprios limites. Com o dispositivo digital, ela fica sabendo exatamente em que patamar est e aonde precisa chegar. 

Tamanha exposio na rede tambm no torna a empresa mais vulnervel a crticas? 
O dilogo entre empresas e consumidores est ganhando vulto na web, e no h como retroceder nem fugir disso. Esse  o mundo em que vivemos. Eu, particularmente, vejo essa mudana com otimismo. Podemos tirar muito proveito da rede. A conversa com o consumidor fica mais especfica, dirigida, prxima. Se de um lado somos alvo de crticas, tambm recebemos retornos valiosssimos, que encurtam decisivamente o caminho para a inovao. 

O senhor tem um exemplo? 
Os usurios da pulseira que monitora o gasto de calorias em tempo real formaram uma ativa comunidade na rede.  medida que falam uns com os outros, eles vo indicando o que precisa ser melhorado. Foi assim que soubemos de um problema no software que inflava a contagem de calorias de quem gesticulava muito, embora passasse o dia inteiro sentado. Nas contas do aparelho, podia acontecer de esses mais inertes terem um gasto calrico superior ao daqueles que subiam vrios lances de escada. Graas ao retorno que tivemos no ambiente on-line. fizemos esse e muitos outros ajustes necessrios no software. 

Em que medida o senhor acredita que a Copa do Mundo possa impulsionar o mercado esportivo? 
Numa estimativa conservadora, as vendas devem subir 30%, como tem acontecido nas ltimas Copas. Mas podem aumentar at mais. Falo isso porque em pases como o Brasil os nmeros tm disparado. Nos ltimos trs anos, o mercado brasileiro passou a ser um dos cinco maiores para a Nike, crescendo na casa dos dois dgitos  com taxas menores apenas do que as de chineses e indianos. Apostamos, como vrias outras empresas, que o Brasil vai ditar cada vez mais tendncias de moda e comportamento. Por isso, estamos trazendo ao pas equipes de designers, pesquisadores e produtores. O pendor natural pelos esportes e o culto ao corpo so parte da cultura local e um terreno promissor por onde avanar. 

A Nike j foi acusada pela concorrncia de praticar dumping no Brasil. Isso no refreou seu nimo de fazer negcios no pas? 
No existe nem nunca existiu dumping de nossa parte. O que h, na verdade,  uma sobretaxa exagerada sobre nossos produtos. Temos procurado deixar claro que crescimento sustentvel s  possvel com comrcio livre e justo. Se o Brasil buscar uma poltica comercial que obedea s leis locais, mas tambm seja coerente com as regras internacionais de livre-comrcio, todos ganharo. Temos conversado com o governo brasileiro frequentemente, e acho que estamos progredindo. 

A direo da Confederao Brasileira de Futebol (CBF) quer reavaliar o valor do contrato com a Nike, hoje de 35,5 milhes de dlares por ano. O senhor est disposto a fazer alguma concesso? 
A CBF acaba de eleger um novo presidente.  natural que reavalie os contratos em vigor e queira eventualmente renegoci-los. Faz parte do jogo. Mas, at agora, nada ficou decidido em relao a isso. 

A Nike foi alvo de denncias de trabalho infantil no fim da dcada de 90. O que mudou desde ento? 
Foi uma das pocas mais difceis de toda a histria da empresa. A crise que as denncias desencadearam fez com que nos transformssemos profundamente. Passamos da total ignorncia sobre como nossos fornecedores trabalhavam para uma vigilncia estrita. Ficou claro que no era mais possvel no assumir responsabilidade sobre quem nos prestava servio. Foi a que criamos uma diviso de sustentabilidade corporativa, na qual h gente dedicada exclusivamente  inspeo das fbricas e dos fornecedores dos quais compramos. No se trata apenas de estar do lado certo. Quem no atentar hoje para questes como essa acabar sucumbindo. 

Fazer produtos sustentveis no encarece a produo? 
A curto prazo, pode ser que sim. Ao longo do tempo, porm, a tendncia  que ocorra justamente o contrrio. Por exemplo: uma de nossas metas  reduzir em 15% o uso de gua at 2015. Para chegarmos l, investimos pesado em uma nova tecnologia de tingimento dos tecidos  a seco. Hoje, roupas desse tipo so mais caras, mas, quando essa tecnologia estiver funcionando em larga escala, tudo indica que far diminuir significativamente o desperdcio de recursos e o uso de mo de obra. 

Iniciativas assim so um bom trunfo para o marketing? 
Elas ajudam, mas s se sustentam se fizerem realmente diferena. Em uma empresa grande e to vigiada como a Nike, a divulgao de uma falsa imagem seria facilmente percebida. Se  para ser verde, tem de ser de verdade. E  bom para os negcios. Ao longo da nossa histria, tivemos de nos reinventar vrias vezes. Est acontecendo agora. 


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  A EXUMAO DE UM CADVER 
     Quando parecia sepultada e descansando de uma vida maldita, exuma-se a ideia de que o estado deve regular a oferta de cursos superiores privados. Ou seja, impedir que os incautos proprietrios de faculdades invistam errado, pois o MEC sabe onde est o mercado para advogados ou mdicos. Pensemos: quem sabe de mercado, o dono da faculdade que arrisca sua empresa ou um funcionrio do MEC, pontificando sob o manto da impunidade  e sabe-se l com que agenda latente? 
     Em Braslia, o representante de uma associao mdica declarou: "No h mais mercado para mdicos, assim mostram os indicadores da OMS". Ironia do destino, nesse evento, falou antes dele Jarbas Passarinho. Narrou que, em sua gesto como ministro da Educao (1970), foi procurado pela mesma associao, ouvindo idntica afirmativa. Desde ento, o nmero de faculdades de medicina cresceu quatro vezes. O mercado deveria estar ainda mais saturado, pois a populao cresceu muito menos. Contudo, no h estatstica sugerindo saturao dos mercados. Pelo contrrio, a carreira  recordista de candidatos por vaga. 
     Se novas faculdades fossem para onde h poucos doutores por habitante, no existiriam os grandes centros mdicos. E as escolas localizadas em regies pobres formariam profissionais de qualidade ainda pior (o papel de andar na contramo do mercado  para o ensino pblico). 
     Como definir se um mercado est saturado? Pela teoria econmica, ser o caso se os salrios dos graduados no so comensurveis com os custos de estudar ou, no limite, se eles esto desempregados. Segundo as pesquisas, quatro anos de faculdade dobram os salrios e no h desemprego significativo nesse nvel. No passado, esperava-se que os profissionais fossem para empregos cujo nome se assemelhava ao do curso. Hoje, tal como nos pases ricos, ocorre a "desprofissionalizao" dos diplomas. Exercem a profisso menos de 20% dos advogados, 10% dos economistas e 5% dos filsofos. Haveria que cortar 95% das matrculas em filosofia? No, pois os quatro anos de graduao se converteram, para a maioria, em uma educao "genrica", que prepara para exercer ocupaes meio indefinidas. Nada errado. 
     Os lobbies mdicos disfaram a retranca na abertura de cursos como proteo da qualidade. Pura falcia, mal escondendo um conluio entre governo e corporativismo. Em vez de definir a geografia da demanda, o certo  impor padres de qualidade rgidos aos novos cursos. E, sem apertar o cerco aos cursos e profissionais ruins que a esto, adia-se para a prxima gerao um atendimento correto. Ou seja, fechar a torneira dos novos cursos  apenas garantir o monoplio dos velhos, livres da concorrncia de intrusos. 
     A boa soluo  conhecida de todos e temida pelos menos confiantes na sua competncia: filtrar pelo Enade. E tambm por exames de ordem para mdicos  como fazem os advogados. Assim se faz nos Estados Unidos e nessa direo caminha o estado de So Paulo. 
     A prova da OAB  uma bela soluo. Formam-se muitos bacharis em direito. Alguns vo vender terrenos, outros trabalharo na empresa do pai. Os melhores passam nas provas da ordem, assegurando um nvel mnimo de competncia nas cortes de Justia. Todos ganham. 
     Curiosamente, h na OAB quem no abenoa o seu belo sistema e quer fazer a mesma besteira das associaes mdicas: restringir a criao de cursos, decretando onde no h demanda. No mundo real, quem acha a demanda so os novos advogados e mdicos, no os governos e lobbies. Se fossem piores os mercados nas regies pobres, mesmo os profissionais que l se formassem tampouco ficariam. 
     Para melhorar a qualidade dos cursos, h o Enade e outras provas, em paralelo a um acompanhamento rigoroso do MEC. A retranca para a abertura de faculdades  como ocorre hoje no ensino a distncia  em nada beneficia a qualidade, embora impea a saudvel concorrncia entre os cursos. No passa de uma ao visando a beneficiar financeiramente quem j entrou, sejam faculdades, sejam profissionais. Protege o interesse deles e no da sociedade.


5. LEITOR
O PAPA FRANCISCO E A AMRICA LATINA
A reportagem "O povo  do papa" (27 de marco) mostra a influncia do papa Francisco para dar esperana de qualidade de vida a tantos pobres e prova que est na hora de os polticos exploradores do povo serem desalojados. As pessoas no podem viver de iluses nem dar poderes a caudilhos  que visam somente a benefcios pessoais,  custa do sofrimento de tantos desvalidos. Francisco  o papa da esperana. Os polticos no conseguiro crucific-lo como outros fizeram em certo momento da histria.
ALFREDO SCOTTINI
Blumenau, SC

Efusivos parabns a VEJA pelas brilhantes, competentes, srias, inteligentes, imparciais e respeitosas reportagens especiais sobre o papa Francisco, sua eleio e a repercusso da escolha.
LRIO ZANCHET
Frederico Westphalen, RS

O papa Francisco  de um frescor que fazia tempo no se via na Igreja Catlica. Por ser latino-americano, ele traz consigo a marca de um povo simptico e mais relaxado que o europeu. No entanto, ser sem dvida um defensor da democracia e da liberdade dos povos, realidades que ainda no so vistas em toda a Amrica, tampouco em outras partes do mundo, como a frica.
CARLOS FABIAN SEIXAS DE OLIVEIRA
Campos dos Goytacazes, RJ

A presidente Dilma Rousseff deslocou-se at Roma para a primeira missa do papa Francisco, que depois a recebeu em audincia. At a, tudo bem, pois outros chefes de estado fizeram o mesmo. O inadmissvel foi a comitiva levada por ela, com um grande nmero de ministros e bajuladores polticos j em campanha explcita. Dilma e seu partido abusam descaradamente, fazendo poltica oportunista e rasteira, esbanjando o dinheiro pblico.
LUIZ CECCOTI NETO
Matinhos, PR

Brandindo o Evangelho contra armas e artimanhas de governantes, Francisco poder libertar povos oprimidos ou enganados.
JOS WAGNER CABRAL DE AZEVEDO
Tamba, SP

CAPA DE VEJA
Apreciei a sutileza da capa de VEJA: um pastor tentando apascentar duas "ovelhas negras".
JOO EVANGELISTA TEIXEIRA LIMA
Vila Velha, ES

VEJA foi muito feliz: um verdadeiro gigante em comparao com duas personalidades nem tanto.
LUIZ AQUINO
So Paulo, SP

LYA LUFT
Mesmo depois de uma cobertura exaustiva sobre o papa Francisco, a escritora Lya Luft nos surpreende, oferecendo outro enfoque no belo artigo '"Temos papa, temos pai" (27 de maro).
FABRCIO CARVALHO
Patos, PB

Sou catlica, mas, independentemente de minha religio, achei a comparao e o pensamento da colunista bastante atuais e pontuais, tendo em vista o nosso momento.
NIZE ROLIM
Recife, PE

Lya traduz muito bem o sentimento que tomou conta de uma sociedade carente de "pais" que deem a seus filhos o amor que acolhe e orienta.
ROSIMEIRE BALOG WANCELOTTI
Sorocaba, SP

LIBERDADE DE IMPRENSA
Os abusos do episdio do News of the World no podem justificar a intromisso de nenhum rgo externo na liberdade de imprensa ("Abusos e equvocos". 27 de maro). A Inglaterra d um pssimo exemplo ao mundo, indo na contramo da democracia.  um retrocesso, justamente no momento em que o mundo no tolera mais a tirania nem o absolutismo (vide a Primavera rabe). Tomara que o novo rgo seja apenas "para ingls ver".
JLIO CESAR OLIVEIRA DE MACDO
So Gonalo, RJ

A questo no  somente comprar ou deixar de comprar o jornal ou a revista, pois no se pode esquecer que a imprensa tem responsabilidade pela divulgao da notcia e pela forma de noticiar. E a soluo para eventuais abusos decorrentes da liberdade de imprensa deve ser encontrada pelo Poder Judicirio, mas sem autoritrias medidas liminares para proibir a notcia nem uma pretensa regulao. Que a imprensa publique o que quiser, ciente de que poder ser responsabilizada pelos eventuais abusos, pois sempre existe o risco de causar danos irreparveis (vide o caso da Escola Base). A imprensa, em princpio, tem o direito de noticiar o que quiser, e aquele que se sentir prejudicado pela notcia tem tambm o direito de buscar a reparao de eventuais prejuzos.  o bom e velho sistema de freios e contrapesos, base da democracia. Simples assim.
PAULO TORRES P. DA SILVA
Jaboato dos Guararapes, PE

ENEM
Sinto-me completamente aturdida com tamanha falta de tica e de valorizao da educao ("O Enem pode virar piada", 27 de maro). Como professora, vejo e sinto na pele o rduo trabalho que entorna a alfabetizao e a conscientizao dos alunos, uma vez que educar vai alm da sala de aula,  uma questo social. Entretanto, fatos como o ocorrido com o Enem, de certa forma, nos tiram a credibilidade, nos afastam do apogeu de um futuro melhor. Envergonho-me tanto pela atitude dos corretores como pela dos estudantes que contribuem para que a chacota v em frente. O Enem j virou piada... assim como a educao em geral no nosso pas.
ANA CLARA ANTONIOLLI P. MIRANDA
Indaiatuba, SP

No ltimo pargrafo da reportagem, lemos: "O Ministrio da Educao limitou-se a dizer que o edital foi seguido  risca, uma vez que no prev punio ao deboche escancarado". Sou professora de portugus e informo que a ridcula situao estava prevista no Guia do Participante  Redao no Enem 2012, em sua pgina 9, na qual se responde  pergunta "Quais as razes para se atribuir nota 0 (zero) a uma redao?". Entre as respostas, encontra-se: "improprios, desenhos ou outras formas propositais de anulao". Se uma receita de Miojo ou o hino de um time de futebol no se caracteriza como forma proposital de anulao, preciso rever meus conceitos como professora, pois estou sendo rgida demais com meus alunos. Parabenizo VEJA pela reportagem, que no deixou o assunto "morrer".
SILMARA COLOMBO
Sertozinho, SP

Tenho pena de quem se prepara seriamente para o Enem  avaliao que no passa de uma piada de mau gosto do MEC.
GABRIEL POLAN BARROS STEC, 15 ANOS
Trs Lagoas, MS

Sou professor e acho lamentvel o nvel de comprometimento dos corretores das redaes do Enem. Esses profissionais corrigem os textos em qualquer lugar e hora. Certamente isso inviabiliza o trabalho srio.
ADO DE SOUSA RIBEIRO
Teresina, PI

Confiar a entrada no nvel superior a um simples texto, e no ao trabalho apresentado,  o grande erro. O Brasil deveria ter, sim, mais aula prtica, e submeter os alunos a trabalhos crticos, e no somente a uma viso parcial esquerdista.
ZEHEV SCHWARTZ BENZAKEN
Manaus, AM

PRIVILGIOS NA CMARA
O presidente da Cmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deve achar que o povo brasileiro  completamente ignorante, ao afirmar que as medidas de corte de gastos anunciadas geraro um saldo positivo de 19 milhes de reais ("Cmara de compensao", 27 de maro). Ora, se o coto passar de 34.000 reais por ms para 38.600, s a temos um aumento de despesas de 4600 reais por ms, que, multiplicado por doze meses, gerar uma despesa adicional de 55.200 reais por cada nobre deputado, o que d 2,067 salrios a mais por ano. Ou seja, 14, 15 e mais um pouquinho.
NILO VASCONCELOS PULHEZ
Campinas, SP

INFRAESTRUTURA DOS PORTOS
Meus cumprimentos  equipe de VEJA, em especial ao jornalista Marcelo Sakate, pela reportagem "Uma safra recorde, mas  deriva" (27 de maro), que escancara quo danosos so para o Brasil anos a fio de incompetncia administrativa. E o pior: a to aguardada luz para sanar os problemas de infraestrutura no pas me parece estar cada vez mais distante.
PAULO ARRUDA
So Paulo, SP

Lendo a bela reportagem "Uma safra recorde, mas  deriva'', lembrei que h mais de cinquenta anos Juscelino Kubitschek construiu uma cidade (Braslia) no meio do nada e em poucos anos. Hoje, passado mais de meio sculo, no conseguimos melhorar nada em quatro anos. Obrigado por mostrarem a nossa realidade.
ALEXEI ANTONIUK
Curitiba, PR

Desatar esse n  fcil. Basta comear a trabalhar em trs turnos. Assim, seria possvel triplicar o escoamento das mercadorias e as filas de caminhes desapareceriam. Isso poderia ser feito rapidamente, aumentando empregos.
JOHN F. KONIG
So Paulo, SP

H importantes investimentos tecnolgicos e esforos de pesquisa no Brasil para maximizar o potencial produtivo da soja no campo. A perda depois da "porteira" ocorre devido  decadncia no transporte brasileiro  o que  inadmissvel.
SILVNIA H. FURLAN
Campinas, SP

ABATEDOURO CLANDESTINO
O povo brasileiro no merece ter no primeiro escalo do governo uma "excelncia" que no respeita a dignidade dos animais nem a sade da populao ("Cabeas cortadas", 27 de maro). Que a presidente Dilma retome esse cargo quanto antes.
ELIELSON BARBOSA
Belo Horizonte, MG

Ainda bem que temos VEJA para nos manter informados sobre as barbaridades perpetradas pelos governantes deste pas.  Acorda, Brasil, antes que seja tarde!.
MARIA ELENA RIBEIRO MENDES
So Paulo, SP

Sou fiscal federal agropecurio do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, lotado na Superintendncia Federal de Agricultura na Bahia, e sinto-me indignado, amargurado e com uma sensao de impotncia diante das revelaes de VEJA.  lamentvel que tenhamos de continuar convivendo com tal loteamento de cargos no Poder Executivo. Eles so entregues  mais variada casta de aventureiros e desocupados, a ttulo de acordo poltico ou para acalmar os partidos  simplesmente vergonhoso e deprimente!
FRANCISCO MANDARINO VILLAS BAS
Salvador, BA

Mais de 5000 profissionais do setor frigorfico, docentes e inspetores j foram treinados em todo o pas para fazer o abate humanitrio, um conjunto de tcnicas usadas durante o manejo que visam a minimizar o sofrimento dos animais. So solues que incluem desde o transporte da fazenda aos frigorficos de forma adequada at a diminuio do stress pela insensibilizao prvia (perda da conscincia), que evita que os animais sintam dor no decorrer do processo.
JOS RODOLFO CIOCCA
Zootecnista e gerente do Programa Nacional de Abate Humanitrio da Sociedade Mundial de Proteo Animal
Rio de Janeiro, RJ

GLAUCIUS OLIVA
A entrevista com o fsico Glaucius Oliva ("A maioria quer ser inovadora", 27 de maro) refora a necessidade de aproximao da academia com o setor privado. Entretanto,  uma pena que, com a priorizao do programa Cincia sem Fronteiras, tenham minguado para a comunidade cientfica os editais temticos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq).
ROBERTO GERMANO COSTA
Comendador da Ordem Nacional do Mrito Cientfico
Picu, PB

No indicador de depsitos de patentes nos Estados Unidos, o Brasil amarga um percentual em torno de 0,1% (fonte: USPTO). O que  grave  que no quesito da inovao tecnolgica se encontra o entulho legislativo que obriga os rgos de controle a fazer a necessria fiscalizao dos investimentos pblicos em cincia e tecnologia referenciados em leis, decretos e normas elaboradas com base numa colcha de retalhos.
MRIO NETO BORGES
Presidente da Fundao de Amparo  Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig)
Belo Horizonte, MG

O Brasil somente conseguir o avano cientfico e tecnolgico se puder contar com a participao efetiva da iniciativa privada, expandindo assim a base de pesquisadores que hoje so financiados pelos rgos de fomento.
OSCAR HIPLITO
Diretor-geral acadmico da Laureate International Universities
So Paulo, SP

Por meio do programa Cincia sem Fronteiras, os governos brasileiro e sueco oferecem mais de 2000 bolsas em 26 universidades suecas com alto grau de qualidade de ensino e pesquisa.
ALESSANDRA HOLMO
Diretora executiva do Centro de Pesquisa e Inovao Sueco-Brasileiro (Cisb.)
So Bernardo do Campo, SP

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. MALSON DA NBREGA  DESPERTA, CONGRESSO
     O Congresso teve participao decisiva nos acontecimentos que possibilitaram o fim do regime militar. Lderes como Ulysses Guimares, Tancredo Neves e Mrio Covas foram figuras-chave na restaurao da democracia. Aes de mesmo relevo no ocorreram, porm, no mbito das finanas pblicas. E ainda agora o Congresso continua renunciando s suas prerrogativas em tributao, despesa pblica e endividamento federal. 
     O moderno Parlamento nasceu de decises sobre finanas pblicas. No livro sobre a emergncia dos estados europeus (Birth of the Leviathan), Thomas Ertman, da Universidade Harvard, mostra como as assembleias contriburam para limitar e depois abolir o absolutismo. Tudo comeou entre os sculos XII e XIII com uma mudana fundamental: o declnio das formas de servio militar gratuito. Tropas assalariadas se tornaram a base da organizao para a guerra.  
     A conquista e a ocupao de territrios eram consideradas, ento (e ainda o seriam at a derrota de Hitler, em 1945), essenciais para a prosperidade. Para mobilizarem exrcitos cada vez mais numerosos, incluindo a contratao de mercenrios, e assim financiarem seus projetos de expanso e defesa, os reis precisavam de recursos. Uma sada rpida era permitir a indivduos arrecadar tributos em troca do recolhimento antecipado. Outra era vender cargos na administrao pblica. 
     Com o tempo, ficou difcil cobrar tributos sem o apoio da nobreza, do clero e dos comerciantes. Assembleias representativas foram criadas para legitimar a atividade de arrecadar. Entre idas e vindas, elas assumiram o controle do poder dos reis, que delas dependiam para custear as guerras. O custo do conflito com a Frana levou os bares feudais ingleses a impor ao rei Joo sem Terra a Carta Magna (1215), que atribuiu a uma assembleia (o futuro Parlamento) o poder definitivo de tributar (salvo irrelevantes excees). Nascia a srie de avanos institucionais que legariam  Inglaterra a Revoluo Industrial e a democracia. 
     Esse processo levou  assuno dos parlamentos ao poder supremo. Os reis se tornaram figuras simblicas ou desapareceram. Dois destaques foram a Revoluo Gloriosa inglesa (1688) e a Revoluo Francesa (1789). O Parlamento ingls e a Assembleia Nacional francesa adquiriram o poder exclusivo de tributar, autorizar a despesa pblica e aprovar o endividamento do governo. Estudos mostram que a democracia surgiu mais rapidamente nos pases que faziam guerras frequentes. 
     Os pases ibricos foram retardatrios nesses movimentos, que l aconteceriam apenas nos sculos XIX e XX. Com parlamentos fracos, a democracia tardou. O Congresso brasileiro  herdeiro dessa tradio. Aqui, o agente reformador foi o Executivo. O Legislativo teve participao secundria ou nula na modernizao das finanas pblicas, principalmente nas aes que desaguaram na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) 2000. 
     Novos avanos e a preservao das conquistas dependem, por isso, do compromisso do governo com sadios princpios fiscais. Nos ltimos dois anos, o que se tem visto  o desmonte das instituies fiscais, sob a complacncia do Congresso. O Executivo expande a seu bel-prazer a dvida federal para suprir de recursos bancos federais. Usa contabilidade criativa para fazer crer que cumpriu metas fiscais. Anuncia, sem consulta ao Congresso, que transferir recursos do Tesouro para empresas de energia eltrica e ferrovias. Est em curso a criao de um novo banco, disfarado de fundo, pelo qual o Tesouro aportar recursos  vontade a bancos privados para que financiem a infraestrutura.  alarmante. 
     O Congresso precisa, pois, assumir suas relevantes prerrogativas. Cumpre-lhe liderar, pela primeira vez, um processo de construo institucional para coibir prticas do Executivo que geram desperdcios e m alocao dos recursos da sociedade. A Cmara e o Senado dispem de pessoal altamente qualificado para auxiliar na tarefa. O Congresso poderia comear questionando subsdios concedidos sem prvia autorizao legislativa. Outra ideia  debruar-se sobre o j existente projeto de nova lei oramentaria, que teria importncia semelhante  da LRF. Os ganhos seriam enormes. Isso vai acontecer?


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
MILLR
O Ministrio da Cultura aprovou a captao de 3,9 milhes de reais para a produo de um filme sobre a obra de Millr Fernandes, Millores que Te Quero. www.veja.com/radar 

QUANTO DRAMA
PATRCIA VILLALBA
RENDAS
Ester, a personagem de Grazi Massafera em Flor do Caribe, entrou em cena disposta a arrasar nos modelos feitos em renda nordestina. O vestido de casamento da moa mostra toda a exuberncia da tcnica renascena.
www.veja.com/quantodrama 

SOBRE PALAVRAS
SRGIO RODRIGUES
SUBORNO
Subornar, palavra do sculo XVI, tambm veio do latim: subornare  apenas o verbo ornare adornado pelo prefixo sub, que indica algo que se passa s escondidas, de forma oculta ou por vezes furtiva.
www.veja.com/sobrepalavras 

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
FELICIANO
O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) se transformou no smbolo do mal. Lembro que o deputado Joo Paulo Cunha (PT-SP) j era processado pelo STF no caso do mensalo e se tornou presidente da Comisso de Constituio e Justia, www.veja.com/reinaldoazevedo 

SOBRE IMAGENS
ARMANDO PRADO
Das tecnologias fotogrficas, a polaroid  uma das mais fascinantes e ainda arregimenta um grande nmero de fs e admiradores. As antigas cmeras da Polaroid (a marca  to famosa que virou sinnimo da prpria tecnologia) ganharam uma sobrevida aps o retorno da produo dos filmes instantneos pela empresa holandesa The Impossible Project. O fotgrafo paulistano Armando Prado, que comeou na fotografia pelo fotojornalismo, utilizou por mais de vinte anos a mtica cmera Polaroid SX-70, e suas fotos fazem parte de diversas colees pblicas e privadas.
www.veja.com/sobreimagens 

CHEGADA
BARRIGA NEGATIVA
A famosa foto em que a modelo sul-africana Candice Swanepoel exibe sua barriga negativa provocou uma onda de reaes na internet, e o assunto j chegou s academias na forma de uma pergunta muito frequente: qualquer um pode obter esse resultado com um programa de treinos e alimentao controlada? A resposta  um sonoro no! Nem todas as mulheres possuem a constituio fsica e o histrico adequado para um abdmen extremamente magro. E, ainda que tenham,  preciso advertir que a chamada barriga negativa talvez no seja saudvel, j que implica perda de massa magra. 
www.veja.com/chegada

+ TECH
DO MSN PARA O SKYPE
Ao fazer a migrao da conta do Live Messenger (MSN) para o Skype, o usurio vai notar um problema: o servio no  capaz de reconhecer as listas nem os grupos de contatos criados no MSN.  necessrio refazer todos. O processo no  muito intuitivo, mas pode ser realizado em poucos minutos. Saiba como no blog + Tech.
wwv.veja.com/tech

 Esta pgina  citada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN SADE  HIDRATAO: UMA ARMA CONTRA PEDRA NOS RINS
O consumo de lquidos  essencial para evitar a concentrao de substncias causadoras da litase renal.

     Consumir uma quantidade adequada de gua  essencial para manter o corpo saudvel. Mas  ainda mais importante quando se trata de prevenir e tratar a litase renal, mais popularmente conhecida como pedra nos rins. A hidratao correta  a principal forma de evitar a formao desses clculos, que causam desconforto e, em alguns casos, dor intensa. A Sociedade Brasileira de Nefrologia estima que cerca de 10% da populao j teve uma crise renal provocada por clculos. 
     Eles se formam quando h concentrao excessiva de minerais ou sais cidos  como o clcio, o cido rico e o oxalato  na urina, que acabam por se cristalizar formando uma pedra. O tamanho pode variar de um gro de areia (mais comuns) a uma bola de golfe (bem raros).  
     De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, mais de 13% dos homens e entre 6% e 7% das mulheres podem apresentar pedras nos rins em algum momento de sua vida. E apesar de atingir pessoas de todas as idades, essa condio  mais frequente na vida adulta e em pessoas com histrico de casos na famlia  
     As principais causas da litase renal so metablicas: o organismo elimina inadequadamente (a mais ou a menos) diversas substncias, dentre elas clcio, cido rico, oxalato e citrato. Por isso, os clculos podem ser de diferentes tipos, sendo classificados de acordo com a composio qumica. 
     Em alguns casos no h sintomas e as pedras so eliminadas pela urina sem que se perceba. No entanto, se elas comearem a se movimentar pelos ureteres  tubos que levam a urina dos rins a bexiga , podem provocar dor aguda na regio abdominal ou no baixo ventre. Nuseas, vmitos, febre e calafrios (se houver infeco associada) e urina de cor avermelhada so outros sinais. A condio pode, ainda, levar  obstruo desses canais, impedindo o fluxo de urina. 
     Exames de imagem como ultrassonografia, ressonncia magntica, radiografia ou tomografia computadorizada ajudaro a confirmar o diagnstico e tambm a identificar caractersticas do clculo, fator essencial na definio do melhor tratamento. Dentre as opes,  possvel utilizar diurticos, citrato, bicarbonato e medicamentos inibidores da sntese de cido rico, alm de analgsicos e anti-inflamatrios. Em situaes que exijam cirurgia, as opes so a litotripsia  ondas de choque para fragmentar os clculos (posteriormente expelidos na urina)  e a nefrolitotomia  que utiliza endoscpios com sondas e pinas para retirar a pedra. 
     Para evitar o aparecimento de clculos ou a reincidncia do problema, uma medida simples e barata  essencial: aumentar a quantidade de gua ingerida diariamente. 

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